O
que é o Tangram?
O Tangram é um quebra-cabeça chinês, de origem milenar formado por
apenas sete peças (5 triângulos, 1 quadrado e 1 paralelogramo) com as quais é
possível criar e montar cerca de 1700 figuras entre animais, plantas, pessoas,
objetos, letras, números, figuras geométricas e outros. As regras desse jogo
consistem em usar as sete peças em qualquer montagem colocando-as lado a lado
sem sobreposição.
Como
surgiu o Tangram?
Diz
à lenda que um jovem chinês, ao despedir-se de seu mestre para uma grande
viagem pelo mundo, recebeu um espelho de forma quadrada e ouviu:
-
Com esse espelho você registrara tudo o que verá durante a viagem para
mostrar-me de volta.
O
discípulo surpreso indagou:
-
Mas mestre, como, com um simples espelho, poderei eu lhe mostrar tudo o que
encontrar durante a viagem?
No
momento em que dizia esta pergunta, o espelho caiu-lhe das mãos, quebrando-se
em sete peças. Então o mestre disse:
-
Agora, com estas sete peças, você poderá construir figuras para ilustrar o que
verá durante a viagem.
E
assim o jovem foi ilustrando as figuras que foi vendo e formou o Tangram. Com
essa descoberta os chineses passaram o Tangram para todo o mundo e com isso
ficou muito famoso.
O
uso deste jogo como recurso pedagógico
Esse quebra-cabeça há muito tempo é
utilizado pelos professores de Matemática para facilitar a compreensão de
alguns conteúdos curriculares como formas geométricas e resolução de problemas
usando modelos geométricos. Além disso, ele desenvolve a criatividade e o
raciocínio lógico.
Importa esclarecer que ao professor
do AEE não cabe “[...] ensinar os conteúdos curriculares, isso é de
responsabilidade do professor da sala de aula comum, mas ele deve trabalhar os
processos cognitivos a partir da mediação na SRM” (POULIN, FIGUEIREDO, GOMES,
2013, p. 7). Nesta perspectiva, ao trabalhar com os alunos que apresentam deficiência
intelectual, o professor do AEE pode fazer uso do Tangram, pois este estimula os
alunos a desenvolverem os mecanismos de aprendizagem. Da mesma forma, este é um
recurso pedagógico que pode ser utilizado com todos os alunos na sala de aula
regular, inclusive com os alunos que apresentam deficiência intelectual.
De acordo com Poulin, Figueiredo e
Gomes (2013, p. 7), as pessoas com deficiência intelectual tem dificuldade em
mobilizar os mecanismos de aprendizagem, os quais se referem “[...] a memória,
a atenção, a transferência de aprendizagem, a metacognição e a motivação”.
Soma-se a isso a dificuldade em resolver problemas.
Desse modo, ao trabalhar com este
recurso no contexto do AEE pretendemos que o aluno mobilize sua atenção para a
resolução de problemas, conquistando gradualmente sua autonomia na construção
das estratégias para a resolução das situações propostas e mantendo-se motivado.
Para tanto, o professor deve propor
situações problemas possíveis para o aluno e ao mesmo tempo, que se constituam
em desafios. Dentro desta mesma visão, cabe ao professor realizar gradativamente
intervenções durante a realização do jogo, ajudando o aluno a manter sua
atenção sobre o que é importante para a resolução do problema.
Como
jogar?
Cândido (2013) recomenda que ao
trabalhar com o Tangram o professor deve possibilitar a familiaridade do aluno com
este jogo e com as propriedades de suas peças. Para isso, inicialmente o aluno
pode explorar as peças, identificando suas formas. Em seguida, se propõe que o
mesmo faça a sobreposição e construção de figuras a partir de uma silhueta,
assim, o aluno é orientado a interpretar o que é solicitado a fazer, concentrar-se
nas possibilidades e tentar a construção das figuras.
Posteriormente, o aluno deverá
construir figuras com as sete peças do jogo, colocando-as lado a lado sem
sobreposição. Gradativamente, o professor poderá explorar o raciocínio lógico
do aluno, aumentando os desafios. Assim, este deverá propor situações problemas
para o aluno resolver usando as peças do jogo e os conhecimentos já
construídos.
O professor pode propor ao aluno a
construção do próprio jogo, o qual pode ser construído com EVA ou com papel.
Também, na internet estão disponíveis versões virtuais deste jogo. Para ter
acesso consulte os links abaixo:
Referências:
FIGEUIREDO, Rita vieira; GOMES,
Adriana L. Limaverde; POULIN, Jean-Robert. O
aluno com deficiência intelectual: funcionamento cognitivo e estratégias de
avaliação. Fortaleza, 2013. (texto não publicado).
CÂNDIDO, Patrícia. Materiais didáticos: conhecendo o
Tangram. Disponível em: <http://www.mathema.com.br/default.asp?url=http://www.mathema.com.br/e_fund_a/mat_didat/tangram/_tangram.html>. Acesso em 19 out.
2013.
http://educaipo.blogspot.com.br/2012/07/2012tangramorigem.html#.UmMQdU-5fIU>.Acesso em 19 out.
2013.
