domingo, 8 de dezembro de 2013

Audiodescrição e acessibilidade



Katyuscia Maria da silva

 
A audiodescrição constitui-se, nos dias de hoje, em um serviço que possibilita o acesso de pessoas, principalmente das que apresentam deficiência visual, às informações e aos meios de comunicação. Para a professora Vera Santiago da Universidade Federal do Ceará a audiodescrição

 

[...] é uma modalidade de tradução audiovisual definida como a técnica utilizada para tornar o teatro, o cinema e a TV acessíveis para pessoas com deficiência visual. Trata-se de uma narração adicional que descreve a ação, a linguagem corporal, as expressões faciais, os cenários e os figurinos. A tradução é colocada entre os diálogos e não interfere nos efeitos musicais e sonoros. (VERA SANTIAGO – UFC)

 

Sobre este aspecto, o próprio Ministério das Comunicações aprovou, em 27 de junho de 2006, a Portaria Nº. 310, a qual define, entre outros, a áudiodescrição como um recurso de acessibilidade para pessoas com deficiência que “[...] corresponde a uma locução, em língua portuguesa, sobreposta ao som original do programa, destinada a descrever imagens, sons, textos e demais informações que não poderiam ser percebidos ou compreendidos por pessoas com deficiência visual”.

 

Também a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação, publicou em 10 de abril de 2012 a NOTA TÉCNICA Nº 21 com o propósito de orientar para a descrição de imagens na geração de material digital acessível, disponibilizadas por intermédio do software MECDAISY. Assim, a Audiodescrição se constitui em um serviço de tecnologia assistiva a serviço da inclusão social, uma vez que promove a acessibilidade à comunicação.

 

Desta forma, neste documento, são descritos os requisitos para a descrição de imagens, ressaltando que “a descrição de imagens é a tradução em palavras, a construção de retrato verbal de pessoas, paisagens, objetos, cenas e ambientes, sem expressar julgamento ou opiniões pessoais a respeito”. Assim, a descrição deve contemplar, entre outros requisitos

 

1. Identificar o sujeito, objeto ou cena a ser descrita – O que/quem; 2. Localizar o sujeito, objeto ou cena a ser descrita Onde; 3. Empregar adjetivos para qualificar o sujeito, objeto ou cena da descrição – Como; 4. Empregar verbos para descrever a ação e advérbio para; 5. Descrever as circunstâncias da ação – Faz o que/como; 6. Utilizar o advérbio para referenciar o tempo em que ocorre a ação – Quando; 7. Identificar os diversos enquadramentos da imagem – De onde [...]

 

 

Por outro lado, importa ressaltar que o uso da audiodescrição não está restrito às pessoas com deficiência visual, uma vez que outras pessoas com deficiência intelectual, idosos e disléxicos podem se beneficiar deste recurso de acessibilidade. Lívia Mota, ao conceituar a audiodescrição evidencia o papel mediador deste recurso quanto à acessibilidade cultural, social e escolar. Para esta autora

 

A audiodescrição é uma atividade de mediação linguística, uma modalidade de tradução intersemiótica, que transforma o visual em verbal, abrindo possibilidades maiores de acesso à cultura e à informação, contribuindo para a inclusão cultural, social e escolar. Além das pessoas com deficiência visual, a audiodescrição amplia também o entendimento de pessoas com deficiência intelectual, idosos e disléxicos. (LÍVIA MOTA)

 

No que se refere ao uso pedagógico da audiodescrição, este serviço tem contribuído para propiciar aos alunos, principalmente os que apresentam deficiência visual, o acesso aos conteúdos de forma simultânea à turma, minimizando ou eliminando as barreiras comunicacionais, principalmente as presentes em materiais bibliográficos, imagens, vídeos, peças teatrais.

A título de ilustração sobre o uso pedagógico deste serviço, em um contexto de sala de aula regular, propomos para uma turma dos anos iniciais do Ensino Fundamental assistir a um vídeo de um conto literário, intitulado “O girassolzinho” o qual está disponível em http://www.filmesquevoam.com.br/ nas versões com audiodescrição e em Libras.
 


No primeiro contato da turma com um vídeo que apresenta audiodescrição e objetivando que os alunos videntes percebam a importância deste serviço para o aluno que apresenta deficiência visual, propomos uma vivência prática, na qual os alunos videntes se colocariam no lugar do aluno com deficiência visual.

Dessa forma, os alunos videntes devem assistir ao vídeo com os olhos vendados. No primeiro momento, sem o recurso de audiodescrição os alunos são estimulados a relatar o que acontece no filme, respondendo às perguntas:

ü  Qual o título da história?

ü  Quem é o autor? E o narrador?

ü  O que pousou no girassol?

ü  O que mais aparece no cenário da história?

ü  O que protege as pétalas do girassol durante a noite?

 

Em seguida com o uso da audiodescrição, os alunos assistem mais uma vez o vídeo e ao fim são estimulados a descrever o que perceberam com esta experiência. O que haviam imaginado anteriormente? Que informações foram acrescentadas com o uso deste serviço?

Por fim, os alunos assistem ao filme com audiodescrição e sem os olhos vendados. Ao término, relatam se este recurso de fato contribui para que o aluno com deficiência visual possa assistir a um vídeo juntamente com a turma, sendo possível compreender a história.

Da mesma forma, essa vivência prática é extremamente relevante para o aluno que apresenta deficiência visual, pois, possibilita a ruptura com preconceitos e a construção de um clima de respeito às especificidades deste aluno. Assim, em outros momentos, de uso deste serviço todos poderão se beneficiar do mesmo, sem estranheza.

 

Referências:

BRASIL. Nota Técnica, Nº. 21. Orientações para descrição de imagem na geração de material digital acessível – Mecdaisy. MEC/SECADI/DPEE, 2012. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=10538&Itemid=. Acesso em 01/11/2013.

 

_______. Portaria, Nº. 310. Aprova a Norma nº 001/2006 - Recursos de acessibilidade, para pessoas com deficiênca, na programação veiculada nos serviços de radiodifusão de sons e imagens e de retransmissão de televisão. MC, 2006. Disponível em: http://www.mc.gov.br/portarias/24680-portaria-n-310-de-27-de-junho-de-2006 Acesso em 08/12/2013.

 
http://www.vercompalavras.com.br/definicoes Acesso em 17 de nov. de 2013

 

http://www.filmesquevoam.com.br/ Acesso em 17 de nov. de 2013